Um novo nome novo para a velha mentira

Geral


(*) Jesus Guimarães
                                             
10/7/2020 - A mentira é e foi, desde sempre, um desvio do caráter humano. No passado espalhava-se de boca em boca e já causava estragos. Hoje, como farsa, é executada sob técnica apurada.  Multiplica-se com a velocidade do raio graças à internet e seus robôs instruídos a cumprir sem falhas a ignominiosa tarefa.
A modernização desse mau hábito foi tão decisiva que o transformou num grave crime, pois não se acrescentam apenas pontos à versão original, mas inventam-se histórias com afirmações e imagens artificialmente fabricadas, capazes de convencer  milhões de pessoas de que alguém é santo ou demônio, dependendo da vontade do contratante dos serviços.
 Fake news  é o nome importado para a mutreta, high-tech e de prática universal.
Bolsonaro elegeu-se a partir desse expediente pouco conhecido ainda em 2018. Fugiu aos debates e valeu-se de um exército de cabos eleitorais cibernéticos para espalhar sua ardilosa narrativa entre milhões de eleitores desavisados.
Sustenta-se no poder através da mesma artimanha.  Mantém um escritório especializado em disparar mentiras Brasil afora. Governo e empresários enfiam dinheiro no projeto que é capaz de produzir versões de encomenda para cada momento da política, atribuindo ao presidente virtudes que não tem, paternidade de obras que não são suas ou detratando opositores e até afrontando demais Poderes da República.
Nesses dias divulgaram-se estratégicas fotos em que ele  inaugurava  o canal de transposição das águas do Rio São Francisco, obra que herdou dos governos petistas com 94% concluídos. A propósito, divulgou uma conversa com uma eleitora nordestina que o agradecia. No dia seguinte descobriu-se a falseta, a mulher era de Sertãozinho (SP) e jamais falara com o presidente. Teve de apagar sua publicação.  
Processos correm no STF e no STE para identificar responsabilidades nesse esquema criminoso em que, além dele próprio, está seriamente envolvido o seu filho Carlos, a liderar parlamentares e apoiadores.
Agora é o próprio Facebook que identifica e exclui rede de perfis falsos do grupo Bolsonaro destinados a agredir adversários e divulgar falsas proezas do pífio mandato do capitão.
Cínicos, seguem alegando direito à  liberdade de expressão .

(*) Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB e
ex-prefeito de Tupã. E-mail: zuguim@uol.com.br

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