Mamãe Saruê

Geral


Jesus Guimarães

30/7/2020 - Eis que um gambá-fêmea (ou uma gambá) resolveu aninhar-se sob vigotas e caibros encostados em um canto do quintal. Protegido, arrastou para o esconderijo folhas de grande porte, verdes ou secas, e fez sua cama. Segundo informação de um amigo criado nesta região, está se ajeitando para receber os filhotes.
Na verdade, quando descobrimos o ninho, estava difícil visualizar o ocupante e até se aventou a hipótese de ser uma raposinha do campo, espécime que também ocorre por aqui. Tão logo consegui flagrar em meu celular o focinho da gestante, minha filha bióloga, lá de Brasília denunciou: não é raposa, é gambá. De fato, de nome saruê, também chamado de gambá brasileiro.
Isso faz poucos dias e ainda não decidimos se deixamos as coisas seguirem seu curso (natural?) ou chamamos o resgate para dar um destino à mamãe saruê. Ouvi comentários no sentido de que, se descuidarmos, esses animais invadem nossas casas, contudo, somos nós os brutais invasores.
Moramos numa espécie de condomínio rural, a seis quilômetros do centro urbano. Em dez anos, assistimos à derrubada de matas da vizinhança e a instalação de pelo menos três grandes loteamentos. Pássaros, esquilos, tatus, gambás, quatis, saguis e até cobras fogem em polvorosa rumo aos últimos capões de mato que resistem nas proximidades. Contudo, falta comida para todos e assim assaltar os latões de lixo das moradias humanas se impõe como único expediente para matar a fome.
É de se imaginar o drama vivido por ocasião dos enormes e continuados desmatamentos que se fazem na Amazônia, queimando primeiro, para limpar a área depois. Destroem a flora e a maior parte da fauna desaparece junto na tragédia, vez que a fuga a tempo não é fácil. O ser humano ainda não se convenceu de que vive em um planeta onde as demais formas de vida animal e vegetal são fundamentais para a sua sobrevivência.
Não se sabe se haverá tempo para frear essa loucura antes que realizemos de fato aquilo que se chama a sexta extinção. Sinto pelas gerações futuras, como parte delas os meus netos que amo tanto.

Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB e ex-prefeito de Tupã. E-mail: zuguim@uol.com.br

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