Fadinha, um exemplo

Geral


(*) Roberto Kawasaki

30/7/2021 -  Em tempos de pandemia, os Jogos Olímpicos trouxeram algumas alegrias, ainda que muitas frustrações de derrotas também. Mas o destaque  vai para o admirável desempenho da fadinha Rayssa Leal nas pistas de skate de Tokyo. Com apenas 13 anos, com desenvoltura, leveza e extrema capacidade, conseguiu a medalha de prata. Perdeu para a japonesa Momiji Nishiya, também de 13 anos, por pouquíssima diferença. Aliás, vencia a medalha de ouro quase até no final, mas por forças da familiaridade do local da competição,  Nishiya conseguiu superá-la. Numa localidade neutra, sem dúvida que seria diferente.
Contudo, isso não importa. Importa que a fadinha nos enche de orgulho, de alegria, de emoção, por realizar sonhos, por lutar pela glória, por traduzir competência, isso tudo com apenas 13 anos.
Como uma menina/adolescente consegue, aos 13 anos, transparecer tanta destreza, conhecimento, simpatia, alegria, espontaneidade, inteligência, tranquilidade, que nos emociona. Como também emocionou todo o Brasil e o mundo, como mostram as notícias estampadas no New York Times, Washington Post, bem como as manifestações do nosso Rei Pelé. Simplesmente espetacular.
Isso tudo trazido por Rayssa Leal, numa competição nova, que é o skate, nos Jogos Olímpicos de Tokyo. Servindo de exemplo a todos os adultos e adultas que compõem a delegação brasileira na capital japonesa.
Junto com as colegas skatistas japonesas, compondo o pódio, considerando a medalha de bronze de Funa Nakayama, de apenas  16 anos, todas deram exemplar ratificação do que é possível a conquista dessas crianças/adolescentes num terreno que sempre foi dos adultos e adultas, no ápice de suas carreiras e sempre traduzindo o que há de melhor no mundo, em termos de tecnologia, em ciência do esporte, em ciências médicas, em ciências físicas, em ciências das diversas engenharias, em ciência da arquitetura, enfim, como dizem os franceses, crème de la crème.
A fadinha nos ensina que é possível sim, alguém de Imperatriz do Maranhão, do Brasil, país do Terceiro Mundo, aspirar ser o melhor dentre os melhores num dos topos do mundo, que é a megalópole Tokyo. Claro que a fadinha é uma exceção num país que não tem a cultura da competitividade, do reconhecimento da educação de qualidade, do investimento no esporte de desempenho, de prioridade óbvia em saúde pública, que não tem ainda uma política nacional de esporte, aliada com educação e saúde, como verdadeiras bandeiras do povo, que traduzem o grau de desenvolvimento de uma nação.
Basta olhar para o quadro de medalhas para constatar que os países desenvolvidos dominam as primeiras posições, os que estão, como me expressei, no topo do mundo. O Brasil precisa priorizar a cultura da competitividade, estabelecer o legado do esporte/educação/saúde como um eixo, um princípio. Enquanto o Brasil não estiver também no topo do quadro de medalhas, não seremos uma nação desenvolvida.

(*) Roberto Kawasaki é economista pela
FEA-USP, professor dos cursos de
Administração, Sistemas de Informação,
Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo,
Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da Faccat e articulista do DIÁRIO.

Sua notícia

Esta área é destinada para o leitor enviar as suas notícias e para que possamos inserí-las em nosso portal. Afim, da população ter informações precisas e atualizadas sobre os mais variados assunto

Envie a sua notícia por e-mail:

Todas as notícias

publicidade

publicidade