Crônicas & Opiniões

Geral


Jesus Guimarães


Desde que o capital acordou para o fato de que a social-democracia começava a lançar raízes no Brasil, que as camadas sociais até então semi-escravizadas começavam a botar as mangas de fora, com poder de compra e perspectiva de ascensão real através do acesso a cursos superiores; desde que constatou tal ameaça, seus agentes passaram a procurar razões para apear do poder as forças responsáveis pelas transformações. 

Nas sociais-democracias a margem de lucro dos capitalistas é menor, os impostos são maiores e a distribuição dos benefícios é mais equitativa. No Brasil, cuja elite é selvagem quando se trata de amealhar fortunas, o rumo das coisas não era de fato interessante para os poderosos. 

Na reeleição de Lula, na eleição de Dilma e, muito mais, na sua reeleição, esses segmentos uniram-se cada vez mais e, através da mídia, mobilizaram multidões contra fantasmas no intuito de preservar seus inconfessáveis interesses. De saída malharam os benefícios sociais, taxando cada programa como fábrica de vagabundos, de parasitas do dinheiro público. A tática não deu certo, afugentava o voto da maioria. Condenar o “Bolsa Família” mostrou-se um tiro no pé do ponto de vista eleitoral, os médicos cubanos idem. 

Mudaram o alvo e partiram para denunciar o esquema de que todos, inclusive eles, se serviam até então: o velho e manjado financiamento de campanhas políticas via caixa-dois das empresas prestadoras de serviço aos governos. Atiravam na corrupção, mas para acertar na igualdade social. 

E aí o PT pagou caro por comportar-se como um partido de direita, por abrigar-se no conforto das verbas milionárias da corrupção que sustenta a máquina política brasileira há décadas. Pagou pelo que fez e o que não fez, pagou, sobretudo, pelas monumentais armações do PMDB e afins.  

No entanto, os donos do capital precisavam, ainda que por outras razões, tomar o Planalto com urgência e Dilma era dura na queda, simplesmente porque, na contramão da maioria, não tinha rabos de palha. Improvisaram um parecer do Tribunal de Contas da União sobre as contas da presidente tornando crime um procedimento que até então jamais fora e que, por milagre, deixou de ser tão logo Temer tomou posse.

Em poucos meses, com o indesejado avanço das investigações, emergiu a verdadeira podridão nacional. Em número maior que os petistas, políticos golpistas envolvidos em velhos esquemas de corrupção foram apresentados à Nação. Em alguns casos, com inequívocas gravações de áudio ou imagens que mostram os gatunos em plena ação. Entre eles o presidente do PSDB, Aécio Neves, e o presidente da República, este gravado em sua residência oficial, o Palácio do Jaburu. 

Muitos dos eleitores de Aécio ainda argumentam que não têm culpa porque não votaram em Temer. Seria então a hora de confirmar esse entendimento botando-o para correr, entretanto, os parlamentares que os representam, os tucanos, dividiram seus votos em conta exata para permitir a permanência do velho parceiro peemedebista. 

Assegurou-se assim o grande e abjeto motivo do golpe: impedir a consolidação da social-democracia. A corrupção seguirá em frente, camuflada sob imensos tapetes, protegida pela mídia comprometida e o judiciário leniente, enquanto a economia brasileira mergulha num precipício abissal.

Jesus Guimarães é professor, bacharel em Direito, funcionário aposentado do BB e ex-prefeito de Tupã. E-mail: zuguim@uol.com.br

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