Crônicas & Opiniões

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Jesus Guimarães

Há alguém ou alguma coisa exclusivamente responsável pela tragédia de Suzano? Seria a paixão de Bolsonaro pelas armas ou os jogos eletrônicos que estimulam a atirar em tudo e todos? Há ainda sites anônimos que exaltam o machismo e a violência como valores de afirmação social, seriam eles os culpados? Ou os lares desfeitos, a ausência paterna e a falta da educação de berço tão importante na formação do caráter das pessoas?

Decorrida uma semana, sopesando fatos e circunstâncias, conclui-se que tais ataques, sejam aqui ou nos EUA, resultam na verdade da confluência de todos esses fatores e muitos outros, com variável preponderância de um ou de outro.

Há, no entanto, um denominador comum em todas essas tragédias: a possibilidade de os jovens conseguirem armas e munição para a realização do intento.

Eliminadas as chances de possuírem revólveres, automáticas e fuzis, recursos materiais indispensáveis à aventura sonhada, as hipóteses de sua realização tornam-se remotas e tendem a ficar limitadas ao campo da ficção eletrônica.

Nos EUA, onde se compram pela internet inclusive armas pesadas, ocorrem por ano dez ou mais massacres em escolas. No Japão, onde simplesmente não se vendem armas de fogo a civis, não existe essa modalidade de crime.

O atual presidente do Brasil é um ex-tenente do Exército, reformado como capitão, que nunca escondeu sua natural paixão por armas. A propósito, declarou mesmo que, sendo da Artilharia, fora treinado para matar. Considerava que a ditadura matara pouco e deveria ter fuzilado ao menos uns trinta mil.

Honrando tais conceitos, seu primeiro ato presidencial foi baixar decreto facilitando a posse de armas, abrindo caminho para futura legalização do porte para o cidadão comum. A arminha simulada com as mãos foi o ícone de campanha ensinado por ele até mesmo a criancinhas.

Nesse momento de tensão social e política, ter um presidente que ao invés de oferecer uma proposta pacificadora à Nação, prefere propor a distribuição de armas ao povo para que ele cuide de sua própria segurança, é o que há de pior. Sua opção permitiu a um major PM, senador de São Paulo pelo PSL, declarar que se professores ou funcionários portassem armas, os menores não teriam matado tantos, esquecendo-se de que essa segurança deveria, isto sim, ser prestada por sua corporação, a PM paulista, totalmente ausente no episódio.  

Bolsonaro não é, obviamente, o culpado direto pela tragédia ocorrida em Suzano, mas sem dúvida seu marketing pró-armas e arminhas, vitorioso nas urnas, inclui-se entre os fatores que a ensejaram, vez que reforça decisivamente o viés da solução através da violência, ao expandir, por decorrência, o clima favorável à sua prática.

Jesus Guimarães é professor, bacharel em
Direito, funcionário aposentado do BB e
ex-prefeito de Tupã. E-mail: zuguim@uol.com.br

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