Corrida eleitoral do São Paulo tem críticas a Leco dos dois lados e fuga do rótulo de ‘situação’

Esportes


30/6/2020 - Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, ainda não se manifestou sobre as eleições que definirão seu sucessor na presidência do São Paulo em dezembro, mas já vê os dois grupos que disputarão o pleito negando o rótulo de “situação” e fazendo críticas à sua gestão.
Único candidato confirmado até o momento, Júlio Casares reforçou durante a apresentação de seu plano de gestão, quinta-feira, que a chapa “Juntos pelo São Paulo” é uma coalizão de diferentes correntes políticas. Olten Ayres de Abreu Junior, seu candidato para a presidência do Conselho, é contrário a Leco há tempos, assim como o ex-presidente José Eduardo Mesquita Pimenta, derrotado por Leco nas últimas eleições e agora apoiador de Júlio Casares.
O adversário dele nas eleições ainda não está definido, o que deve acontecer em uma convenção no mês que vem ou no próximo. Os postulantes são Sylvio de Barros, Roberto Natel (vice-presidente na atual gestão, mas rachado com Leco) e Marco Aurélio Cunha. Este último, que deixou o cargo de coordenador de seleções femininas na CBF para se dedicar ao processo eleitoral são-paulino, tem dito que o seu grupo representa a oposição, enquanto o de Casares é a situação.
“Quer ficar igual ? Tem lá a situação. Quer mudança ? Tem a gente de oposição. As pessoas não querem se definir como situação, o que é um pouco de covardia”, disse ele, recentemente, ao jornalista Jorge Nicola.
Marco Aurélio Cunha reconhece que apoiou Leco na eleição passada, além de ter sido diretor de futebol na reta final de 2016, a convite do próprio. Hoje, no entanto, classifica a gestão como “infeliz” e se coloca como opositor. Casares também esteve ao lado de Leco na eleição passada e faz parte do Conselho de Administração, mas ressalta que não teve cargo executivo com o atual presidente e tem usado as palavras “transformação” e “choque de gestão” para divulgar suas ideias, deixando claro que não deseja ser um símbolo de continuidade do que está sendo feito.
“Os únicos que não apoiaram o Leco na última eleição são o Olten, o grupo dele e o Pimenta. Os pré-candidatos do lado de lá não só apoiaram o Leco como tiveram cargos, alguns remunerados, ou estão nos cargos ainda. O meu grupo definiu por grande maioria apoiar o Leco (na última eleição) e eu não sou de rachar grupo. Sempre fui crítico de algumas coisas e também reconheço alguns acertos. Nunca participei da gestão executiva do São Paulo, como alguns que estão do outro lado”, disse.
A maior crítica feita a Leco, além da falta de títulos, diz respeito à situação financeira do São Paulo. Em 2019, o clube elevou de R$ 62 milhões para R$ 127 milhões a sua dívida de curto prazo com as instituições financeiras - a ideia da diretoria era quitar a parcela da dívida contraída no ano passado até o fim de 2020, sem deixá-la para a próxima gestão, algo que deve ser atrapalhado pela pandemia. Além disso, o clube fechou o balanço de 2019 com déficit de R$ 156 milhões, embora haja explicações que amenizem o alto valor.
Diante do atual cenário, não está descartado que Leco não manifeste apoio a nenhuma das chapas para as eleições de dezembro. Ele também não pode concorrer à reeleição.
Serão 260 conselheiros aptos a votar, sendo que 100 serão eleitos em uma eleição prevista para novembro.

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