Centro e Centrão

Política


(*) Roberto Kawasaki

22/5/2020 -  A história segue seu rumo, por vezes, em repetição. Vejam, por exemplo, a redemocratização brasileira, que jovem e com sérias dificuldades de amadurecimento, repete de forma trágica: o quase impeachment de Collor, que renunciou para evitá-lo; de Dilma e agora, tudo leva a crer, de Bolsonaro.
Collor se elegeu com base num slogan velho: o “caçador de marajás”. Sem base partidária forte e fiel, abusou da onipotência, onisciência e arroubos. Confundiu as posições ideológicas de centro, sem os radicalismos de direita e esquerda, de majoritárias bancadas de senadores e deputados federais de posições moderadas, com o chamado Centrão, composto por legisladores federais fisiológicos e voltados às suas bases eleitorais sustentadas como currais eleitorais. Pois bem, se esqueceu da simples aritmética, de que o centro com a maioria de cerca de 40% do eleitorado e do Congresso Nacional, é o fiel da balança, haja vista que Collor tinha os outros 30% de direita do eleitorado e do Legislativo federal, portanto, em tese, 70% dos deputados e senadores lhe dariam uma folgada maioria, que dentre outras conjunturas, evitariam sua defecção do poder. O fiel da balança pende para outro lado, quando o chefe do Executivo federal abandona as convicções racionais e moderadas... Aconteceu o esperado.
Com Dilma, aconteceu algo parecido. Despreparada como Collor, autoritária, onisciente, porém, com o outro lado ideológico, de 30% da esquerda. Imaginava, como Collor, que o centro que fora fundamental para sua eleição e reeleição, não a abandonaria jamais. Obviamente que quando cometeu crimes fiscais, administrativos, contábeis, e sobretudo eleitorais, com a nomeação do banqueiro Joaquim Levy, dando uma guinada ideológica, e provocando, na sequência, sua demissão, o centro a abandonou. Aliás, como se esperava.
Bolsonaro repete a mesma história de Collor, onisciente, onipotente, autoritário, despreparado, e agora, com seguidas ações desastradas nos campos diplomático, ambiental, político, administrativo, educacional, social, e sobretudo, sanitário, ele cava sua sepultura com habilidade. O que segura Bolsonaro são os militares ? Porque o Centro ele já perdeu. Imagina que cortejar o Centrão e tê-lo junto com os 30% da direita lhe dará folga para evitar sua cassação. Que equívoco monumental: o Centrão não é o Centro. Somente representa uma parcela menor dela. Ainda mais que o Centrão é fiel traidor. Traiu Sarney, Collor, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer e trairá Bolsonaro, se este continuar caminhando celeremente ao precipício.

(*) Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, professor dos cursos de Administração, Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo,
Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da Faccat e articulista do DIÁRIO.

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