Caminhos a trilhar

Geral


(*) Roberto Kawasaki

15/10/2021 - Se o pressuposto da crise econômica é incontornável e viabilizar um crescimento econômico superior ao crescimento populacional para elevar a renda per capita é fundamental para dela sairmos, então qual deve ser a política econômica para promover primeiro o crescimento econômico e depois o desenvolvimento econômico?
Sem dúvida alguma,  aqui reside o maior problema da sociedade brasileira no que diz respeito a questões econômicas e sociais para estes tempos tão conturbados e difíceis.
Claro está que há questões de âmbito federal, estadual e regional, contudo, o que podemos fazer no ambiente municipal para alçar o crescimento econômico?.
Desde 1776, quando Adam Smith fundou a ciência econômica, que o caminho para trilhar o progresso é um só: trabalho e produção. Nenhuma das mais diferentes correntes de pensamento econômico discorda dessa afirmação de Smith.
Convenhamos que somente se produzirmos e trabalharmos, iremos criar renda para gerar consumo de bens e serviços e melhoria da qualidade de vida da população. Portanto, a questão chave é trabalhar e produzir. Como trabalhar, se o Brasil tem mais de 14 milhões de desempregados e mais de 35 milhões trabalhando como autônomos ou semiempregados? Deve-se pautar uma política econômica para estabelecer como prioridade absoluta a criação de empregos. Não há outro caminho e saída.
O que podemos fazer no contexto municipal para priorizar a geração de empregos? De um lado, o poder público municipal deve estimular a produção de bens e serviços no município com excedente exportável para outros municípios e, com isso, trazer renda de outras localidades, enriquecendo a cidade; de outro lado, atrair pessoas para residir no município e com isso aumentar o mercado populacional consumidor local, elevando renda, emprego, arrecadação de tributos e, assim, crescimento econômico com um PIB municipal maior.
Alguns programas com objetivos tão claros são recomendados: cultivar o hábito de consumo que priorize, primeiro, compras de produtos produzidos no próprio município, depois os produzidos nos municípios vizinhos, para promover o crescimento regional. Assim se protege e gera empregos no município e região, a exemplo dos municípios da Serra da Mantiqueira, no Sul de Minas Gerais, que fazem parcerias locais e regionais envolvendo produtos da serra, café-queijo-azeite de oliva, que promovem as localidades, fazem festivais, festas e atraem turistas e, com isso, desenvolvem a rede hoteleira, gastronômica e de prestação de serviços da região; campanhas dos moradores em promover os produtos da localidade, como por exemplo presenteando amigos, parentes de outras localidades com produtos da cidade e região; nestes tempos de globalização e pandemia, o comércio eletrônico cresceu muito, assim, para evitar gerar empregos para outras localidades distantes, se deve criar o hábito de efetivar compras nos estabelecimentos comerciais do bairro, em primeiro lugar, e depois em outros bairros de seu município; e finalmente, cultivar o hábito de se valorizar o que se produz no município e não glorificar o que vem importado de outras localidades.
Há caminhos a trilhar.

(*) Roberto Kawasaki é economista pela FEA-USP, professor dos cursos de Administração,
Sistemas de Informação, Arquitetura e Urbanismo, Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Engenharia de Produção da Faccat e articulista do DIÁRIO

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