‘Ataques às instituições não serão tolerados’, dizem procuradores a Bolsonaro

Política


28/2/2020 - Por Luiz Vassallo

São Paulo (AE) - Os presidentes das associações dos procuradores da República e dos procuradores do Trabalho reagiram, por meio de nota conjunta, ontem, ao vídeo compartilhado pelo presidente Jair Bolsonaro com um chamado para manifestações a seu favor. Fábio George Cruz da Nóbrega (ANPR) e Ângelo Fabiano Farias da Costa (ANPT) afirmam que nenhuma iniciativa “que atente contra os Poderes pode ser tolerada”.
A nota, que não cita o presidente ou faz menção direta ao caso, afirma que a Constituição de 1988 “proporcionou conquistas fundamentais ao povo brasileiro” e que “marcha não admite retrocessos, nem atitudes antidemocráticas”. “Sem democracia, não há concretização da liberdade, nem da cidadania”.
“Não há direitos individuais ou sociais, não há combate à corrupção. A defesa do regime democrático e de seus alicerces é, portanto, dever de toda a sociedade brasileira, sendo missão precípua do Ministério Público”, dizem a ANPR e a ANPT.
“Nenhuma iniciativa que atente, entretanto, contra os Poderes da República, como o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, ou mesmo contra o princípio democrático, pode ser tolerada. Velemos, todos, pela democracia e pelo respeito e fortalecimento das instituições brasileiras como valores irrenunciáveis”, dizem as entidades.

“Ele está enfrentando a esquerda corrupta e sanguinária por nós” e “Vamos mostrar que apoiamos Bolsonaro e rejeitamos os inimigos do Brasil” estão entre as frases no vídeo, que traz imagens da facada que atingiu o presidente durante as eleições de 2018.
O caso gerou reações entre ministros do Supremo.
O decano do STF, Celso de Mello, afirmou que o caso revela a “face sombria de um presidente que desconhece o valor da ordem constitucional” e que não está “à altura do altíssimo cargo que exerce”.
Já o ministro Gilmar Mendes disse que as instituições brasileiras “devem ser honradas por aqueles aos quais incumbe guardá-las”.

Em evento nos Estados Unidos, o ministro Luiz Fux declarou que não comentaria o caso, porque poderia vir a julgá-lo na Corte.

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