Apicultores investem cada vez mais em tecnologia

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Apicultores de Tupã e região buscam investir em novas tecnologias para aumentar a produção do mel e expandir a atividade econômica. 
Os produtores destacaram que o mel produzido na região é um dos “melhores do mundo” e, por isso, precisam ampliar sua visibilidade.
Os diretores da Apromel (Associação dos Apicultores de Tupã e região), Nicolau Pilquevitch e Wilson Rodrigues da Silva, foram unânimes ao destacar a cultura agrícola e a vegetação da região, que beneficiam a produção do mel. “Temos lavouras de café, cana, APP’s (Área de Preservação Permanente) e mata ciliar, entre outras vegetações boas para a polinização”, afirmou Pilquevitch.

Produção

A produção do mel ocorre entre os meses de agosto a abril, dependendo das condições do tempo. Porém, na época de baixa produção, aumenta a demanda por mel, o que eleva o preço do produto. “Em tempo chuvoso não há florada e as abelhas se alimentam do próprio mel”, afirmou Pilquevitch, ao explicar que as colmeias recebem tratamento com geleia de soja e fubá para aumentar ainda mais a produção.
Durante a safra, uma colmeia, com enxame de 100 mil abelhas, pode produzir cerca de 30 quilos de mel. Atualmente, o quilo do mel custa de R$ 10,00 a R$ 12,00, no atacado.

‘Mil-flores’

Wilson Rodrigues da Silva explicou que o mel produzido na região de Tupã é o “melhor do mundo”, segundo estudos feitos por especialistas. “Um professor italiano disse que só tinha provado um mel, como o nosso, na Malásia”, afirmou. “Na Itália, o nosso mel é chamado de ‘mil flores’”, destacou. 
Silva contou que, durante um evento na cidade de Água Branca, uma cliente chinesa se interessou pelo mel produzido na região, e solicitou a importação de um conteiner do produto.

Microcâmeras

Diante de tão boas perspectivas, a associação busca investimentos para implantar microcâmeras nas abelhas e saber sua localização, rota e identificar as flores visitadas. 
As abelhas podem voar em um raio de até três quilômetros da colmeia.
Pilquevitch explicou que as abelhas traçam a sua rota à colmeia por meio de um laser natural, o que pode facilitar o seu monitoramento. “É impressionante. Elas seguem sempre a mesma rota, não invadem a colmeia das outras abelhas e trabalham dentro da sua própria caixa”, afirmou o produtor, ao explicar que motinora as colmeias por um sistema instalado em seu celular.

Cruzamento

Os diretores explicaram que a associação irá iniciar o cruzamento de abelhas para criar uma nova espécie, com mais resistência e produtividade. 
O cruzamento será realizado entre abelhas africanas e europeias. “A abelha africana é mais resistente, mas produz pouco mel. A abelha europeia produz muito, mas tem pouca resistência”, explicaram.
Abelha-rainha

Os produtores iniciarão um procedimento para troca de abelhas rainhas, em cada colmeia, o que poderá dobrar a produção do mel. 
Uma colmeia possui cerca de dez abelhas rainhas, que brigam entre si pela posse do território, o que aumenta os casos de mortandade. “Ao nascer, a nova abelha rainha será transferida de colmeia, onde irá se desenvolver e aumentar a produção”, afirmou Pilquevitch.
Muitos ainda não sabem, mas as abelhas-rainhas podem ser encomendadas e enviadas pelos Correios. “Elas vêm dentro de caixas, junto com a ‘Pasta Candy’, da qual se alimenta na viagem”, explicou Silva. 
Abelhas-rainhas podem ser adquiridas nas cidades de Santa Cruz do Rio Pardo, Ribeirão Preto e São Paulo, por exemplo.

Sem ferrão

Segundo Pilquevitch, uma das propostas da associação é trabalhar com espécies de abelhas sem ferrão, como a jataí, mandaçaia e marmelada, por exemplo. “O mel dessas abelhas é indicado para combate da catarata e infecções, entre outras doenças. Queremos iniciar esses trabalhos com a participação das crianças”, destacou.

Georreferenciamento

O georreferenciamento das abelhas é um instrumento usado pelos apicultores para conhecer o posicionamento das abelhas e o local de sua polinização. Para evitar o contato das abelhas com os agrotóxicos, os produtores entram em contato com as usinas e informam a presença de abelhas no local. 
Silva explicou que os produtores sofrem constantemente com a mortandade de abelhas devido a aplicação de agrotóxicos. “Tem produtor que já perdeu todas as abelhas por causa disso”, afirmou.
De acordo com Silva, os produtores podem uitilizar uma caixa chamada “escape” para armazenar as abelhas durante a aplicação de agrotóxicos nas plantações. “Depois de duas horas, soltamos as abelhas novamente”, salientou. “Há usinas do Estado de São Paulo que avisam os produtores sobre esse procedimento, mas isso não acontece com as empresas da região”, acrescentou.

Parceria

A Apromel mantém parceria com a Amar (Associação dos Apicultores de Marília)  para a realização de cursos, palestras e eventos. O primeiro encontro dos apicultores de Tupã e região aconteceu no mês de outubro, com a presença de diversos produtores. Parte do mel produzido na região é processado pela Amar e fiscalizado por alunos do curso de veterinária da Unimar (Universidade de Marília), com autorização do SIF (Serviço de Inspeção Federal).
A Apromel conta com auxílio dos professores Spencer E. Soares, da USP (Universidade de São Paulo) e Lídia Barreto, de Taubaté. “Vamos repetir esses cursos todos os anos. A associação vai realizar um curso em parceria com o Sindicato Rural, Senar e Cati”, afirmou Pilquevitch.
Silva destacou que a região pode aumentar o seu potencial na produção do mel, se tiver mais união. “Tupã possui cerca de 2 mil colmeias. Temos muito potencial, locais ociosos que podem ser usados para exploração, como áreas com vegetação e matas ciliares. Queremos fazer uma feira do mel, com os apicultores”, afirmou. “Queremos que todos os agricultores comercializem seus produtos com o SIF, o que será bom para o consumidor e para a economia do município”, completou.

Centrífuga

A associação poderá contar com uma centrífuga elétrica disponível para o processamento do mel. Pilquevitch disse que o equipamento será instalado em uma sala que atenderá os requisitos de higienização. “O prefeito disse que irá nos ajudar com essa compra”.

Procedimentos

Wilson Rodrigues da Silva explicou que os consumidores devem ficar atentos ao comprar potes e “bisnagas” de mel. “Muitos não conseguem observar a qualidade do mel a ‘olho nú’”.
Antes de ser comercializado, Silva destacou que o mel precisa ser descristalizado, retirando sua caloria. “Quando o mel está com caloria fora do normal, ele perde seus nutrientes. Ao ser envazado, ele fica com um ‘colar branco’ na superfície”, afirmou.
De acordo com o produtor, quando o mel é feito de forma artesanal e sem cuidados específicos, pode contrair bactéria butolínica, devido a exposição no pasto, umidade e HMF (hidroximetilfurfural),  indicador de excesso de tratamento térmico. “Esses componentes presentes no mel podem levar à morte”, ressaltou Silva, ao alertar os consumidores sobre a venda de mel sem procedência. “Existe mel que é vendido, sem rótulo, sem SIF. A população tem que tomar cuidado”, acrescentou.

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